BAÚ DE FILMES

Julho 31, 2007


Luzes do Além



Até entendo esta nova opção mercadológica de fazer continuações de filmes medianos em dvd, como aconteceu com O Homem sem Sombra 2, A Rede 2.0, Dr. Doolitle 3, somente para citar alguns, mas, distribuir um filme destes nos cinemas com circuito tão restrito como ocorre atualmente é de chorar. Isto acontece com LUZES DO ALÉM, continuação sem os mesmos personagens de Vozes do Além, um filme fraco com Michael Keaton investigando vozes de mortos através de rádios e televisores.

Neste o personagem principal Abe Dale (Nathan Fillion, do seriado Firefly e com participações em Lost e na série cancelada Drive), após testemunhar o assassinato da mulher e do filho tenta o suicídio, sobrevive através de intervenção médica, mas, antes disso, tem contato com “céu”. Na sua volta, Abe começa a perceber luzes brilhantes ao redor das pessoas que estão prestes a morrer e tenta intervir para que isto não ocorra.

No entanto, o grande problema de LUZES DO ALÉM é sua precária produção, o roteiro é de uma obviedade ímpar e, no máximo, que se esforça é criar uns fantasmas feiosos para assustar, a direção é inexistente e os efeitos especiais dignos de novela nacional.

LUZES DO ALÉM: 2,0
(White Noise: The Light, Eua, 2006)
Direção: Patrick Lussier
Roteiro: Matt Venne
Com: Nathan Fillion, Katee Sackhoff, Craig Fairbrass, Adrian Holmes, Kendal Cross, Tegan Moss. 99 min. UNIVERSAL


Julho 26, 2007


Lançamentos da Semana



PARIS: SONHANDO ALTO (aventura inédita nos cinemas com Billy Bob Thornton, Virginia Madsen e a participação de Bruce Willis) e VIDAS DO ALÉM (suspense inédito da Tailândia);


PARAMOUNT: NORBIT (comédia que Eddie Murphy insiste em fazer debaixo de quilos de maquiagem, ainda no elenco, não sei como, Thandie Newton e o decadente Cuba Gooding Jr.);


NOVA FILMES: A QUEDA DO PODER (inédito em dvd está sendo relançado este drama de Alfonso Arau com Madeleine Stpwe e Bruce Greenwood):


Julho 20, 2007


Ela é Poderosa



Há dois grandes problemas em ELA É PODEROSA: 1) a distribuidora Playarte que ganhou o prêmio de pior adaptação de título nacional do ano, o original Georgia Rule é constantemente citado no filme, pois são as regras de convivência de Georgia (Jane Fonda) que se baseiam os conflitos das personagens centrais; e 2) o diretor Garry Marshall que chegou ao fundo do poço, do sucesso nas comédias com tons de fábulas Uma Linda Mulher e Diário de Princesa, Marshall é um desastre ao tentar criar um tom de comédia num texto dramático onde há temas pesados como abuso sexual e pedofilia (o diretor é muito mais feliz fazendo suas tiradas no fraco programa televisivo On The Lot).

Até acredito que o mérito do fraco desempenho do filme nas bilheterias americanas não seja somente culpa de Marshall, o roteiro de Mark Andrus (responsável por Melhor é Impossível) por diversas vezes vacila no rumo que procura dar ao filme, tanto que o principal evento dramático do filme referente ao abuso sexual é mentido e desmentido por diversas vezes que ocasiona uma perda de impacto do mesmo, prejudicando o drama do filme que embalado em situações cômicas forçadas tornam ELA É PODEROSA numa película bizarra que dificilmente encontrará seu público ideal.

Menos mal que o filme tenha três atrizes competentes para ajudar Marshall em sua odisséia, Jane Fonda, uma excelente coadjuvante, Felicity Huffman, uma das melhores atrizes atuais e Linday Lohan (sexual e sensual ao mesmo tempo) encontra seu melhor papel no cinema, mesmo que os bastidores de sua vida pessoal facilitem ao dar credibilidade a sua personagem fictícia.

ELA É PODEROSA: 4,0
(Georgia Rule, Eua, 2007)
Direção: Garry Marshall
Roteiro: Mark Andrus
Com: Lindsay Lohan, Felicity Huffman, Jane Fonda, Dermot Mulroney, Cary Elwes. 118 min. PLAYARTE


Julho 19, 2007


Lançamentos da Semana



Esta semana tem dvds para todos os gostos e gêneros.

PARIS: ESCOLA DE IDIOTAS (comédia com Billy Bob Thorton e Jon Heder, de Napoleon Dynamite, dirigida por Todd Philips, começa de uma maneira bastante divertida com um loser apaixonado pelo vizinha que vai ter aulas com de auto-ajuda com o professor interpretado pelo cínico Thornton, pena que ao final o filme se entregue a uma mera e banal comédia romântica) e O QUARTO DA CULPA (faz parte de um projeto espanhol de filmes de terror e suspense entitulados Películas para No Dormir dirigidos por diferentes cineastas, este tem a direção de Narciso Serrador, mas os outros têm a direção de nomes como Jaume Ballaguero e Alex de La Iglesia);


CALIFÓRNIA: A CONCEPÇÃO (nacional de Jose Eduardo Belmonte com Matheus Nachtergaele) e MENTES DIABÓLICAS (suspense australiano com Toni Collette no papel de uma investigadora na pista de um jovem assassino);


EUROPA SAPATOS VERMELHOS (terror coreano de Kim Yong-Gyun), O PACTO (suspense japonês de Sion Sono) e ÚLTIMA SAÍDA (suspense canadense sem referências);

PLAYARTE: NÚMERO 23 (suspense com Jim Carrey estrando no gênero de maneira eficiente, pena o roteiro priorizar a maldição e forçar uma conexão inverossímil para tornar tudo mais redondo, a direção de Joel Schumacher em nada acrescenta ao forçar maneirismos como fotografia diferenciada para o que se vê o que o personagem de Carrey está lendo);


IMAGEM: HANNIBAL - A ORIGEM DO MAL (já comentei este filme por aqui recentemente, mas fica a dica somente para quem precisar realmente saber como se formou o maior assassino do cinema moderno, se você se contenta com a performance de Hopkins fuja deste filme, o roteiro é demasiadamente construído para formar cada característica do futuro Dr. Hannibal Lecter) e DIAS SELVAGENS (drama inédito em dvd de Wong Kar-Wai de 1991);


SWEN: UM ASTRO EM MINHA VIDA (inédito nos cinemas este filme dirigido por Brad Silberling, conta a história de um ator em decadência - Morgan Freeman - que tem a oportunidade de voltar a atuar num pequeno filme mas para isto terá que frequentar um mercado para criar seu personagem fictício e assim acaba conhecendo uma caixa - Paz Vega);


ART FILMS: pela primeira vez a distribuidora de cinema lança seus filmes em dvd sem o apoio comercial da Europa, estão lançando dois filmes bastante conhecidos do circuito arte, O QUE VOCÊ FARIA (sempre me questionam sobre o lançamento em dvd deste filme espanhol sobre uma disputa de vaga numa multinacional utilizando um método de entrevistas, grande elenco em um filme impactante) e UM HERÓI DO NOSSO TEMPO (filme francês que também angariou bastante elogios nos festivais internacionais);


Julho 15, 2007


Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado



Não sei se sou eu, mas este QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO é tão infantil e bobo, assim como ocorria na primeira aventura, tenho a impressão que o filme é dirigido especificamente para o público infantil, acho graça em pouca coisa e o roteiro possui diversas incoerências que não justifica o sucesso da película (claro que monopolizando milhares de salas de cinemas isto fica facilitado).

Chama-me atenção a infantilidade da trama, pois isto vai contra a maré, enquanto a maioria das animações e outros gêneros procuram equilibrar suas tramas, adicionando dramaticidade, QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO faz o oposto, aposta numa trama engraçadinha e em dois eventos muito díspares (um casamento e o fim do planeta Terra), ambos pouco trabalhados pelo roteiro, nem mesmo a entrada do Surfista Prateado consegue empolgar o filme (em contraponto ao visual perfeito do personagem).

Do elenco, somente algumas piadas de Tocha Humana conseguem encontrar graça no timing de Chris Evans, o restante do elenco é decoração com participações constrangedoras de Julian McMahon (alguém me explica o porquê de sua volta) e André Braugher (um general muito original). Nem mesmo a beleza encantadora de Jéssica Alba salva o filme do esquecimento (pelo menos na cena de nudez poderia ter sido mais bem mostrada).

QUARTETO FANTÁSTICO E O SURFISTA PRATEADO: 3,0
(Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, Eua, 2007)
Direção: Tim Story
Roteiro: Don Payne e Mark Frost
Com: Ioan Gruffudd, Jessica Alba, Chris Evans, Michael Chiklis, Julian McMahon, Kerry Washington, Andre Braugher, Doug Jones. 92 min. FOX


Julho 12, 2007


Lançamentos da Semana



SONY: A PROCURA DE FELICIDADE (bom filme dirigido pelo italiano Gabrille Muccino e que rendeu uma indicação de melhor ator para Will Smith), CORRENDO COM TESOURAS (drama dirigido pelo criador de Nip/Tuck, Ryan Murphy, com grande elenco encabeçado por Annette Bening com Gwyneth Paltrow, Brian Cox, Joseph Fiennes, Evan Rachel Wood e Alec Baldwin) e O PODER DO RITMO (filme sobre dança de rua, inédito nos cinemas);


WARNER: CARTAS DE IWO JIMA e A CONQUISTA DA HONRA (um dos destaques do Oscar os filmes de Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo JIma durante a 2° Guerra sob a ótica dos americanos e dos japoneses, melhor sorte teve Cartas que chegou a ser indicado a Melhor Filme, destes somente assisti A Conquista da Honra, que gostei bastante apesar do fraco elenco protagonista) e OS ÚLTIMOS DIAS (finalmente chega em dvd a versão de Gus van Sant sobre a morte de Kurt Cobain tão divulgada em Festivais mas inédita no circuito comercial);


IMAGEM: HANNIBAL - A ORIGEM DO MAL (demorou mas inventaram uma maneira de ressuscitar o assassino Hannibal Lecter mesmo não contando com Antony Hopkins, desta vez conta-se sua infância e juventude para exemplificar da onde poderia vir sua mente psicopata, algumas respostas valem mas no todo erram por retratar Hannibal como um quase inocente que se viu obrigado a matar os vilões, pelo menos neste filme);


CALIFÓRNIA: CANDY (drama australiano que mostra o bom momento nas escolhas de Heath Ledger como um drogado que namora uma jovem também drogada, um filme triste mas que nada acrescenta ao que já foi mostrado em outros filmes);

Julho 11, 2007


O Bom Pastor



O BOM PASTOR é o segundo filme que Robert De Niro (em baixa com suas escolhas como ator) dirige, o primeiro é o simpático Desafio no Bronx, no entanto, em sua segunda jornada por trás das câmeras De Niro mostra a experiência adquirida com todos os diretores com quem trabalhou e nos entrega um filme maduro e sério, na verdade, O BOM PASTOR pode ser considerado o filme de espionagem definitivo (obviamente, sem apelar para grandes agentes inteligentíssimos, mulheres fatais e cenas mirabolantes).

Tudo em O BOM PASTOR é comedido, as falas são sussurradas, os ambientes são escuros e sombreados, a direção de arte é eficiente assim como a trilha sonora que colabora bastante para o clima de conspiração e suspense. Ainda nos quesitos técnicos, a edição e a montagem estão perfeitas por conseguirem inserir os flashbacks sem alterar o ritmo de filme e, nem mesmo, revelar os segredos que o filme mantém até o seu final.

O roteiro de Eric Roth (do também excelente Munique) trabalha com a criação da CIA através da dedicação exclusiva de Edward Wilson (Matt Damon, numa criação impecável), desde o pós-guerra até os mais diversos episódios da História Mundial, como por exemplo, a fracassada tentativa de invadir Cuba e a Guerra Fria. Desta maneira, o roteiro (cheio de metáforas visuais entre o personagem Edward, seus sentimentos e sua profissão, como no hobby de engarrafar barcos) recria uma curiosa teia do submundo da espionagem mundial, com espiões infiltrados, testemunhas assassinadas e inimigos declarados.

Apesar de longa duração, O BOM PASTOR consegue manter um ritmo cadenciado e regular graças ao roteiro amarrado de Roth e a direção segura de De Niro, que juntamente com o brilhante elenco, conseguem recriar uma época sombria e delicada para nossa História assim como foi para o personagem Edward Wilson, chamado pela própria esposa (Angelina Jolie) de fantasma, com seus segredos e obsessões. Contudo, o filme comete o mesmo erro de O Segredo de Brokeback Mountain, não conseguir envelhecer seu protagonista, Matt Damon surge jovem na tela e quando se passa décadas continua com a mesma aparência, um pequeno equivoco da produção mas que chama a atenção.

O BOM PASTOR: 8,5
(The Good Shepard, Eua, 2006)
Direção: Robert De Niro
Roteiro: Eric Roth
Com: Matt Damon, Angelina Jolie, Robert De Niro, Alec Baldwin, William Hurt, Joe Pesci. 160 min UNIVERSAL



Julho 7, 2007


Lançamentos da Semana



Quase esquecendo (de novo!)

BUENA VISTA: JOGOS MORTAIS 3 (depois de muita enrolação sobre seu lançamento, Jogos Mortais chega em dvd para quem ainda aguenta acompnhar as miraculosas armadilhas criada por Jingsaw e sua parceira) e TURMA DA MÔNICA UMA AVENTURA NO TEMPO (longa metragem nacional dos personagens dos quadrinhos);


VIDEOFILMES: OS DESCONHECIDOS (suspense bem interessante que ficou inédito nos cinemas sobre cinco homens que acordam num galpão perdido no meio do nada sem saber porquê de estarem lá e quem são as outras pessoas, o elenco também é destaque com Jim Caviezel, Greg Kinnear, Joe Pantoliano e Barry Pepper) e WOOD & STOCK - SEXO, ORÉGANO E ROCK'N ROLL (animação gaúcha);


EUROPA: ARTHUR E OS MINIMOYS (animação de Luc Besson que passou no verão por aqui, dando início a época de lançamentos para as férias escolares de inverno) e SOBRENATURAL (nada a ver com o seriado Supernatural, este é um suspense oriental);


IMAGEM: PONTE PARA TERABITHIA (outra opção para as férias conta a história de um casal de amigos que se envolve numa aventura onde a imaginção de ambos é que impera, ate um trágico acidente);


UNIVERSAL: PAIXÃO PROIBIDA (lançamento inédito em dvd do filme inglês de Michael Winterbotton com Kate Winslet e Chistopher Eccleston);


Julho 5, 2007


Hot Fuzz



Podia começar reclamando da distribuição dos filmes nos cinemas brasileiros, neste caso específico da Universal, mas, vou desistir já nos acostumamos que filmes sem grandes publicidades das majors americanas acabam ganhando vida somente em circuito arte e, finalmente, nas locadoras. O difícil é quando o filme é uma comédia policial, gênero tipicamente americano, mas que acaba de ganhar uma versão inglesa fabulosa, seu nome, HOT FUZZ (pelo menos até este momento o filme é para ser lançado em outubro em dvd, sem nenhum subtítulo ridículo, por enquanto).

Para você que não conhece nada de HOT FUZZ, eu ajudo explicando que se trata do novo filme da dupla Edgar Wright (diretor) e Simon Pegg (protagonista), ambos também roteiristas de TODO MUNDO QUASE MORTO, comédia muito boa que brincava com clichês dos filmes de zumbis. Agora, a situação se volta para os clichês dos filmes policiais e de ação, mas não se engane, o filme não é uma paródia como Hollywood normalmente faz, o filme inglês utiliza todas as convenções do subgênero de uma maneira inteligente e muito engraçada mesmo assim não abre mão de tiroteios, mistérios e uma dupla impagável como parceiros policiais (clássico neste gênero).

Somente quem teve o prazer de ver TODO MUNDO QUASE MORTO pode imaginar o que esta dupla aprontou novamente é um humor simples mais hilário em diversos momentos, a história se concentra na ida de um sargento policial muito competente de Londres (em função da sua eficiência seus superiores o afastam alegando que os demais se sentem menores perante seus índices), para uma cidade no interior onde não acontece um assassinato há mais de 20 anos, no entanto, na sua chegada o sargento começa a desconfiar de mortes acidentais que ocorrem a todo o momento (óbvio que isto justifica diversas cenas gore do diretor Wright), tentando descobrir o que realmente acontece na pequena cidade o sargento passa a ser considerado um maluco da cidade grande acostumado com violência.

Com esta simples sinopse, o filme se enche de referências aos mais diversos filmes do gênero, principalmente, com os diálogos trocados entre os parceiros Pegg e Frost (numa química excelente). Falando de elenco, a maioria esteve presente no filme anterior de Wright, como Bill Nighy, porém o grande destaque é a cara sisuda de Simon Pegg, muito diferente do protagonista de TODO MUNDO QUASE MORTO, aqui Pegg está imerso no papel de policial arrojado e determinado, possuindo o timing cômico correto sem cair no escracho.

HOT FUZZ: 8,5
(Ing, 2007)
Direção: Edgar Wright
Roteiro: Edgar Wright e Simon Pegg
Com: Simon Pegg, Nick Frost, Paddy Considine, Timothy Dalton, Jim Broadbent, Martin Freeman, Bill Nighy. 121 min. UNIVERSAL.


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