BAÚ DE FILMES

Setembro 27, 2005



O Homem da Casa (DVD & VHS)



O grande problema de O HOMEM DA CASA, de Stephen Herek, é a falta da originalidade e coesão do roteiro. A falta de originalidade se concentra no uso da personalidade séria de Tommy Lee Jones em comédias, côo o visto em MIB - HOMENS DE PRETO, não que Jones não funcione desta maneira, mas torna-se um filme de uma piada só, o lado sério de Jones como um Texas ranger contra cinco meninas lideres de torcida (diga-se de passagem lindíssimas).

Já o roteiro poderia render um pouco mais de comicidade não fosse o fato de possuir um contexto mais sério. Em meios as situações cômicas (que em geral são regulares, com exceção de cenas como Jones escolhendo absorventes num mercado), temos um trama policial muito batida (não entendo porque não entregam o vilão desde o inicio, como se fosse alguma surpresa quando revelado) e ainda, sobra tempo para uma reflexão de relação pai ausente pelo trabalho tentando ser aceito pela filha. No máximo alguns sorrisos.

O HOMEM DA CASA: 4,0
(Man of the House, EUA, 2005)
Direção: Stephen Herek
Roteiro: Robert Ramsey, Matthew Stone e John J. McLaughlin, baseado em estória de Scott Lobdell e John J. McLaughlin.
Com: Tommy Lee Jones (Roland Sharp), Cedric the Entertainer (Percy Stevens), Christina Milian (Anne), Paula Garcés (Teresa), Monica Keena (Evie), Vanessa Ferlito (Heather), Kelli Garner (Barb), Anne Archer (Professora Molly McCarthy)
Brian Van Holt (Eddie Zane). 97 min. SONY PICTURES
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Setembro 23, 2005



A Queda - As Últimas Horas de Hitler (DVD & VHS)



Não sei porque de toda a polêmica criada em torno do filme alemão, A QUEDA - AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER, de Oliver Hirschbiegel, que nada mais é do que o retrato dos momentos finais da Alemanha nazista no fim da Segunda Guerra. O filme foi baseado em livros de um historiador e da própria secretária particular de Hitler (falecida em 2002).

As pessoas que criaram toda esta polêmica (que favorece o filme, unicamente) criticaram a construção da figura de Hitler, alegando que este estaria sendo retratado com humanidade como em momentos de festas, passeios com seu cachorro e no seu amor por Eva Braun. No entanto, fica muito difícil acreditar que Hitler fosse somente um ditador com idéias errôneas e uma grande ambição, acho até um erro histórico abordar somente este aspecto sobre ele pois na pior das hipóteses, ele foi uma pessoa assim como nós, e pensando assim, poderemos evitar que apareça outro oportunista.

Acho um ótimo ponto de partida do filme retratar somente estes últimos dias no nazismo frente a chegada dos aliados em Berlim. Mesmo se passando quase que totalmente num ambiente claustrofobico do bunker, A QUEDA, privilegia ao espectador um olhar dos bastidores daqueles momentos cruciais da nossa História, sem julgamentos ou demagogia.

Ao não centrar a trama somente em Hitler, o diretor Oliver Hirschbiegel opta por demonstrar diversos coadjuvantes tanto companheiros da partido nazista como personagens fora do bunker, mostrando o quão destruída se encontrava a capital alemã.

Um dos pontos no qual o filme me chocou, no que se refere a paranóia das pessoas que acreditavam nesse sistema político, foi a morte de um grupo de crianças por uma mão enlouquecida e como mesmo sendo civis, pessoas eram mortas por soldados acusadas de serem comunistas, banalizando a vida das pessoas de uma maneira incrível, como se o nazismo morresse eles também precisariam morrer.

Impossível não mencionar a interpretação de Bruno Ganz, que esta simplesmente incrível na recriação do ditador, mostrando momentos ora paz e ora tensos cheios de loucura e insanidade, mas retratando-o como uma pessoa doente acometido pelo Mal de Parkinson, que não daria o prazer da derrota para os Aliados comemorarem com sua prisão.

A QUEDA - AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER: 9,0
(Der Untergang, Ale, 2004)
Direção: Oliver Hirschbiegel
Roteiro: Bernd Eichinger, baseado em livros de Joachim Fest, Melissa Müller e Traudl Junge
Com: Bruno Ganz (Adolf Hitler), Alexandra Maria Lara (Traudl Junge), Corinna Harfouch (Magda Goebbels), Ulrich Matthes (Joseph Goebbels), Juliane Köhler (Eva Braun), Heino Ferch (Albert Speer). 156 min. EUROPA FILMES
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Setembro 20, 2005



ANIVERSÁRIO DE 2 ANOS



Pois é bem assim, quando menos esperamos já se passaram 2 anos escrevendo e trocando idéias com os mais variados cinefilos do Brasil. Hoje, o BAU DE FILMES faz 2 anos de existência e prova acima de tudo o quanto eu gosto de cinema e seus variados produtos, nesse meio tempo já me formei, troquei de empregos diversas vezes e de amores também.

No entanto, a vontade de me comunicar e escrever sobre este fantástico mundo do faz de conta continua e espero que possa durar bastante tempo. Obrigado aos frequentadores do blog pelo tempo dedicado aos meus textos e as pessoas que sempre me mandam duvidas sobre os mais diversos filmes atraves do blog tambem.

Para comemorar esta data resolvi dar uma mudada no visual do blog, deixá-lo mais limpo e clean, por isto desculpem alguns transtornos durante esta mudança pois não conheço quase nada da linguagem HTML para mudar o blog com agilidade, vai ser um processo demorado.

Abraços a todos!
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Setembro 19, 2005



Maria Cheia de Graça (DVD & VHS)



Quando você vê MARIA CHEIA DE GRAÇA, logo, imagina que este é o exemplo típico de uma produção independente americana (mesmo sendo co-produzida pela Colômbia), com sua produção despojada com um tema bastante polêmico, no entanto, o diretor estreante Joshua Marston conseguiu fugir do lugar comum destas produções por escrever com imensa naturalidade e honestidade.

O tema é o narcotráfico e a influencia deste numa comunidade onde não há expectativa de progresso econômico e social, mas, ainda há espaço para ilustrar temas como preconceito e contrabando. um legitimo filme que se apóia no seu ilustre e desconhecido elenco, talvez por isto mesmo consigam ilustrar tamanha naturalidade em cena.

A indicada ao Oscar deste ano, Catalina Sandino Moreno carrega o filme nas costas, pois dificilmente sai de cena, e consegue retratar sentimentos e angustias (principalmente, falta de perspectiva) com bastante realismo mesmo com sua pouca idade (o que facilitou sua indicação mesmo que eu entenda que a indicação seja mesmo um prêmio para o filme como um todo, não acreditava em sua vitória na noite do Oscar).

Um filme bastante corajoso e impactante devido às situações apresentadas no seu decorrer, no entanto, prova que projetos com temas parecidos (mesmo sendo uma novela, no caso América) podem escorregar para o melodramático se apelarem para a saída mais fácil, que é a vitimização das pessoas.

MARIA CHEIA DE GRAÇA: 8,0
(Maria, Llena eres de Gracia, Col/EUA, 2004)
Direção: Joshua Marston
Roteiro: Joshua Marston
Com: Catalina Sandino Moreno (Maria Alvarez), Yenny Paola Vega (Blanca), Virginia Ariza (Juana), Johanna Andrea Mora (Diana), Wilson Guerrero (Juan), John Álex Toro (Franklin). 101 min. IMAGEM FILMES
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Setembro 14, 2005



Segredos de Família (DVD & VHS)


Parentes se carregam! frase dita por Henry (Michael Caine) nos primeiros minutos do filme.

É com esta frase que Henry sintetiza a relação familiar, especificamente a sua, mas também demonstra o quão difícil é manter este tipo de relação (disso todos sabemos), tolerância, perdão e paciência são as palavras chaves no filme e da vida.

Construído como um road movie, nada melhor para descobertas e resoluções pessoais (como podem observar originalidade não é o forte do roteiro de Jordan Roberts). Esta falta de originalidade, inclusive, causa uma falta de aprofundamento desta difícil relação entre pai (Walken) e filho (Lucas).

No entanto, o roteiro também abre espaço para diálogos melancólicos até cheios de humor negro, um ponto positivo pois aproxima estas relações do contexto humano. Caine apesar do pouco tempo em cena é um deleite para quem assiste, Walken dá uma segurada em personagens bizarros e Lucas mostra que pode ir um pouco além em Hollywood. Um filme agradável de ver e ouvir (musica country, nada combina mais com melancolia do que este gênero de música).

SEGREDOS DE FAMILIA: 5,0
(Around the Bend, Eua, 2004)
Direção: Jordan Roberts
Roteiro: Jordan Roberts
Com: Michael Caine (Henry Lair), Jonah Bobo (Zach Lair), Josh Lucas (Jason Lair)
Glenne Headly (Katrina), Christopher Walken (Turner Lair), David Eigenberg (John). 86 min. WARNER
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Setembro 11, 2005


Vale uma conferida?



Para quem não sabe trabalho numa videolocadora e, constantemente, recebo dvds de serviços para dar uma olhada em filme que normalmente não chegaram a entrar em cartaz no cinemas. Ja pude assistir CASA DE AREIA E NÉVOA, 171, KUNG FU FUTEBOL CLUBE, só para citar alguns, o último que recebi é esta nova "pérola" de Steven Seagal, HOJE VOCÊ MORRE que chega as locadoras agora em Outubro entre os lançamentos de Flashstar, será que como cinefilo ponho fogo no dvd (para ninguem mais corra o risco de ver este filme) ou tento agir de forma "profissional" para quem seleciona filmes e assisto como se fosse um filme qualquer (e corro o risco de perder duas da minha atribulada vida)?
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Setembro 8, 2005



Machuca (DVD & VHS)



Assistir a um filme como MACHUCA é um verdadeiro deleite pois, além de se tratar de uma produção chilena, cinematografia que pouco conhecemos, é um filme que versa sobre Historia, amizade e conflito social.

Utilizando como pano de fundo o golpe de Estado nos anos 70, caía o presidente Allende e assumia o General Pinochet (no que se tornaria uma ditadura durante décadas), portanto, um fato histórico bastante recente e muito parecido com o qual nós brasileiros passamos com o golpe Militar a partir de 64.

Registrando de forma real o conflito de classes sociais que pode ser observado no momento no qual crianças carentes ganham bolsas de estudo no colégio particular, dois mundos entram em choque (além da delicada situação sócio-politica do Chile, aquela velha historia dos comunistas vão tomar o poder, o que atingiu toda a América Latina, em parte por incentivo americano). No entanto, nesse cenário de caos anunciado surge à amizade entre Matias e Machuca, e também, o primeiro amor de um deles.

O grande acerto da produção (juntando a direção e o roteiro) é a exploração tanto macro quanto micro desta situação que está preste a explodir. O conflito de classes surge de maneira quase documental com a demonstração das passeatas populares e os diversos conflitos entre as pessoas que pensavam de maneira oposta (como na passeata onde se enfrentam os populares e a elite chilena, na figura das mulheres).

Um filme que retrata com muita competência as dificuldades de se entender o que estava ocorrendo com o poder político naquele momento, mostrando as verdadeiras batalhas entre as classes econômicas que acabaram por originar o surgimento de uma Ditadura que custou muito caro ao povo chileno, tudo mostrado com seriedade (não deixando de explorar os nuances rotineiro como amizade e amores) e sem apelar para demagogias e panfleterismo.

MACHUCA: 8,0
(Chile, 2004)
Direção: Andrés Wood
Roteiro: Andrés Wood e Mamoun Hassan
Com: Matías Quer (Gonzalo Infante), Ariel Mateluna (Pedro Machuca), Manuela Martelli (Silvana), Aline Küppenheim (Maria Luísa), Ernesto Malbran (Padre McEnroe), Tamara Acosta (Juana), Francisco Reyes (Patricio Infante). 120 min. VIDEOFILMES
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Setembro 4, 2005



Mar Adentro (DVD & VHS)



Realizar filmes baseados em fatos reais e que, ainda, contam a história de um deficiente é um risco muito grande para qualquer diretor, pois a maioria destes filmes são aquelas histórias realizadas para a televisão (americana) cheias de emoção e lições de vida (obviamente que politicamente correta).

Então porque Alejandro Amenabar (dos suspenses ABRE OS OLHOS e OS OUTROS) correu o risco de ver seu nome ligado a um projeto tão controverso pois além de retratar um personagem real o filme questiona a liberdade de direito à morte (isto mesmo, eutanásia). Aí que se encontra a oportunidade de Amenabar dar uma virada em sua carreira mostrando que seu talento não se resume aos seus eficientes suspenses, e ficar conhecido como um verdadeiro diretor de cinema ou um ótimo contador de historias como seus ídolos Hitchcock, Spielberg e Kubrick.

Em MAR ADENTRO, Amenabar dirige, produz, roteiriza e é o responsável pela trilha sonora (parece o faz tudo Robert Rodriguez), mas o maior mérito de Amenabar se encontra no enxuto roteiro. A trama do filme retrata a figura genial de Ramon Sampedro, espanhol que se tornou tetraplégico há 26 anos (quando inicia o filme) e que esta em plena luta pelo direito de morrer com dignidade, como ele sempre comenta. Porém, a trama ainda incorpora três figuras femininas que cercam o complexo Ramon Sampedro.

As relações dos personagens com Ramon possui diversas temáticas, temos desde compaixão, amor, carinho, dedicação, egoísmo e uma dura batalha nos tribunais espanhóis. Estes complexos relacionamentos enriquecem o filme fugindo somente do retrato das dificuldades enfrentadas por Ramon, e o tema central do filme que é a liberdade individual (no caso, direito a morte) acaba sendo retratado como uma homenagem à vida e ao amor (sentimentos que não faltaram a Ramon Sampedro).

A direção de Amenabar evita que o filme caia na armadilha sentimental de termos pena de Ramon, nos sensibilizamos com sua luta (claro que o filme emociona em diversos momentos) mas também o retrato da rotina e o difícil temperamento de Ramon geram momentos cômicos (exemplo, quando mostra seu confronto com um padre tetraplégico em uma conversa honesta e franca, sem direitos a demagogias religiosas). Inclusive, Amenabar, cria uma cena inesquecível ao som de Nessum Dorma, onde somos levados a ver a imaginação de Ramon ao sobrevoar Coruna (cidade onde reside), numa experiência sensorial incrível. A escolha de evitar o confinamento do quarto de Ramon, criando discussões e tramas fora deste auxiliam o diretor a evitar o teatro filmado.

No entanto, Amenabar obteve um ponto a favor do filme que estava além de seu alcance, contar com o talento subestimado de Javier Bardem (um dos melhores atores da atualidade). Bardem nos entrega um Ramon trágico mas consciente de suas escolhas (mesmo que doa a quem doer, principalmente seus familiares), charmoso pela sua inteligência e comunicação (tanto que gera paixão em duas mulheres), mas extremamente humano, fugindo de retratá-lo como uma pessoa obsessiva pela sua morte. Bardem nos passa tranqüilidade ao mesmo tempo em que é forte com suas escolhas (tudo isto utilizando somente suas feições e olhares), mesmo estando preso a uma cama.

O elenco coadjuvante (com destaque para a porção feminina) consegue dar total suporte a trama com extrema competência e talento, tornando um tema bastante difícil de ser tratado no cinema (morte e eutanásia) transformar-se numa das melhores obras (para mim a melhor) deste ano tão complicado para o cinema. Um filme que reflete em nosso inconsciente mesmo depois de terminado, pode parecer exagero mais ainda estou encantado com MAR ADENTRO.

MAR ADENTRO: 10
(Espanha, 2004)
Direção: Alejandro Amenabar
Roteiro: Alejandro Amenábar e Mateo Gil
Com: Javier Bardem (Ramón Sampedro), Belén Rueda (Julia), Lola Dueñas (Rosa), Mabel Rivera (Manuela), Celso Bugallo (José), Clara Segura (Gené), Joan Dalmau (Joaquín). 125 min. FOX FILMES
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