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:: Agosto 28, 2004 ::


Quando Falam os Anjos (DVD & VHS)



Filmes mostrando amizade entre pessoas de diferentes gerações não é novidade na telona, como exemplos têm, CINEMA PARADISO, KOLYA e CENTRAL DO BRASIL. Todos possuem suas particularidades, principalmente, apoiados num sentimento de ternura, carinho e aprendizado. Entretanto, acabou de chegar às locadoras um drama que adiciona temas como perda e morte ao roteiro tornando-o imperdível, seu nome QUANDO FALAM OS ANJOS.

O roteiro e a direção são de Peter O'Fallon que ambientou numa cidade litorânea isolada uma historia centrada em sentimentos não ditos e traumas a serem superados. Nesse ambiente nasce amizade do menino com uma velha senhora inglesa, ambos estão sozinhos e possuem dificuldades em encarar a morte de entes queridos.

A grande vantagem de QUANDO FALAM OS ANJOS é a sinceridade e maturidade com que os temas são mostrados na tela, até porque como um envolvido é uma criança facilmente poderia render um dramalhão. Nada soa artificial, as situações ate podem ser previsíveis mas nada que estrague a emoção que o filme quer passar, o que o torna extremamente sensível e humano (não contando que não abusa do seu lado místico).

Mas para tudo isso ocorrer à presença encantadora do menino Trevor Morgan (JURASSIC Park III) e o talento absurdo da ótima Vanessa Redgrave foram essencial para tornar este pequeno filme num drama especial.


QUANDO FALAM OS ANJOS: 8,5
(A Rumor Of Angels, EUA, 2000)
Direção: Peter O'Fallon
Roteiro: James Eric, Jamie Horton & Peter O'Fallon
Com: Vanessa Redgrave, Ray Liotta, Catherine McComarck, Trevor Morgan, Ron Livingston. 106 min. FOX FILM

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 3:43 PM [+] ::
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:: Agosto 22, 2004 ::

Olga (CINEMA)



Sempre achei que uma das saídas para o reencontro do cinema nacional com seu público era a adequação de filmes a uma platéia acostumada com filmes americanos, ou seja, utilizar gêneros como comédias e eventos históricos nossos para atrair um público maior juntamente com filmes autorais e experimentais. Ao contrário do ano passado, até agora poucos filmes nacionais foram prestigiados pelo público (com exceção dos infantis), isto deve mudar com chegada de OLGA, filme do prestigiado diretor televisivo Jayme Monjardim.

O que eu disse no parágrafo anterior serve para atenuar as fraquezas de OLGA, personagem histórico mundial altamente politizada (comunista) que se envolveu amorosamente com Luis Carlos Prestes, histórico brasileiro de esquerda nas décadas de 30/40. O grande problema de OLGA são as más escolhas impostas pelo roteiro da produtora Rita Buzzar, esta quase transformou OLGA num romance a la TITANIC, enquanto o livro homônimo de Fernando Morais revela eventos mais políticos da comunista internacional Olga Benario. Tanto isto é verdade que a partir da segunda metade do filme, quando os eventos históricos se misturam ao romance e a perseguição de Olga, o filme cresce muito, utilizando toda a carga dramática desta mulher.

A utilização do romance acaba por sacrificar personagens muito importantes da trama, além de torna-la vazia e desnecessária, prova disso é a presença de um Prestes bobo e desajeitado e não numa figura forte e em exílio na Europa, o trabalho do ator Caco Ciocler quase se perde não fosse a solidão de Prestes após sua prisão, quando o ator consegue dimensionar a importância desta figura.

A presença de Camila Morgado é fundamental a trama, se no inicio hesitante parece apenas uma comunista radical e monótona, após sua chegada ao Brasil, a personagem ganha ares quase épicos ao defender seu amor, ideologia e, finalmente, sua filha. A transformação de Morgado é impressionante, sua cena na enfermaria é chocante e ao mesmo tempo, inesquecível.

Juntamente com a transformação de Morgado, temos uma reconstituição de época impecável, Monjardim sabe como ninguém trabalhar com eventos históricos (visto seu trabalho na minissérie A Casa das Sete Mulheres), a direção de arte e os figurinos estão excelentes. A verdadeira viagem pela Europa, Brasil e mais precisamente, Alemanha, nos campos de concentração em pleno inverno alemão, parecem saídos direto de um filme hollywoodiano, espero que seja um sinal de que o cinema nacional não terá mais problemas com aspectos técnicos sempre duvidosos em nossos filmes. Pelo menos agora, OLGA e CIDADE DE DEUS são exemplos do tipo de cinema que pode ser feito por aqui.

As escolhas do diretor Jayme Monjardim também, em alguns momentos, resvala em cenas típicas de novela, mas o diretor prova também que pode ser um diretor bastante eficiente em determinados momentos onde sua câmera apenas acompanha os eventos deixando de lado o numero excessivo de closes.

OLGA poderia sim ser uma obra inesquecível para o publico e a critica nacional, em virtude de algumas escolhas equivocadas, isto não acontece, mas, mesmo assim, não deixa de ser um filme bom e emocionante.

OLGA: 7,0
(Bra, 2004)
Direção: Jayme Monjardim
Roteiro: Rita Buzzar
Com: Camila Morgado, Caco Ciocler, Fernanda Montenegro, Mariana Lima, Luis Mello, Eliane Giardini. 142 min. Lumiere

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 2:37 PM [+] ::
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:: Agosto 16, 2004 ::

O Custo da Coragem & Desaparecidas (DVD & VHS)



Neste final de semana resolvi fazer uma sessão dupla com a atriz Cate Blanchett, de filmes como ELIZABETH, VIDA BANDIDA e a trilogia O SENHOR DOS ANÉIS. Os filmes são os recentes O CUSTO DA CORAGEM e DESAPARECIDAS, produções que não obtiveram resultados felizes nas bilheterias, muito menos com a crítica, portanto más escolhas desta excelente atriz.

No caso de O CUSTO DA CORAGEM, produção da grife Jerry Bruckhenheimer (produtor mais odiado dos cinéfilos) que acabou por realizar juntamente com o instável diretor Joel Schumacher (do ótimo TEMPO DE MATAR e do horripilante BATMAN & ROBIN) uma refilmagem de uma produção inglesa realizada há três anos atrás chamada ALTO RISCO, protagonizada pela também ótima atriz Joan Allen (A CONSPIRAÇÃO). E como uma verdadeira refilmagem, Schumacher não adiciona nada em seu filme para diferencia-lo da produção inglesa.

Então para mim, o filme em nada acrescentou, e pior, o tom melodramático da produção utiliza a jornada verídica da jornalista Veronica Guerin, somente para emocionar e chocar o telespectador e não aproveita o tema para discutir o papel do jornalismo em denuncias para a sociedade e no combate a violência.

Mesmo assim, Cate Blanchett tem momentos de brilho (que inclusive lhe renderam uma indicação ao Globo de Ouro), juntamente com outra atriz da qual eu gosto bastante, Brenda Fricker (de O TEMPO DE MATAR e MEU PÉ ESQUERDO).

O mesmo não acontece em DESAPARECIDAS, filme pretensioso do diretor Ron Howard (UMA MENTE BRILHANTE) com ares de produção Oscar mas que afundou na sua pretensão pelo fraco roteiro. Esse fraco roteiro originou uma historia que não se identifica como um gênero, aborda diversos assuntos dispares como família, cultura e misticismo, mas não aprofunda nenhuma questão, o que acaba por dificultar o trabalho do elenco.

Mesmo surgindo como uma opção para o gênero western, DESAPARECIDAS queria mesmo era ser um produto oscarizado, e não fosse o fraco roteiro até poderia se candidatar a alguma indicação, pelo menos a produção é caprichada, como a fotografia e os belíssimos cenários filmados. Nada alem disso.

O CUSTO DA CORAGEM: 5,0
(Veronica Guerin, EUA, 2003)
Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Carol Doyle e Mary Agnes Donohue, baseado em estória de Carol Doyle
Com: Cate Blanchett, Emmet Bergin, Alan Devine, Brenda Fricker, Joe Hanley, Ciarán Hinds. 98 min. BUENA VISTA


DESAPARECIDAS: 3,0
(The Missing, EUA, 2003)
Direção: Ron Howard
Roteiro: Ken Kaufman, baseado em livro de Thomas Eidson
Com: Tommy Lee Jones, Cate Blanchett, Evan Rachel Wood, Jenna Boyd, Aaron Eckhart, Val Kilmer. 130 min. COLUMBIA


:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 8:52 PM
[+] ::
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:: Agosto 12, 2004 ::

Peter Pan & Peixe Grande e Suas Maravilhosas Histórias (DVD & VHS)



Se na teoria, cinema é pura magia e criatividade, os diretores Tim Burton (já adepto desta modalidade cinematográfica, vide BATMAN e EDWARD MÃOS DE TESOURA) e P. J. Hogan (estreando neste gênero, pois sempre foi mais adepto as comédias românticas malucas como, O CASAMENTO DE MURIEL e O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO) resolveram abordar este universo em seus últimos filmes, respectivamente, PEIXE GRANDE E SUAS MARAVILHOSAS HISTÓRIAS e PETER PAN.

PEXE GRANDE E SUAS MARAVILHOSAS HISTÓRIAS é o filme mais pessoal da fantasiosa carreira cinematográfica de Tim Burton, desta vez ele resolveu contar (assim como seu protagonista Edward Bloom) as histórias de um verdadeiro contador de contos e, ainda, adicionar um difícil relacionamento entre pai-filho, motivo este, em função, do filho nunca saber o que é verdade ou mentira nas histórias de seu pai (quase sempre sendo o centro das atenções). Quando o Edward Bloom está perto da morte seu filho tenta uma ultima aproximação e entender os reais motivos para seu pai ser um contador de histórias.

Em seu filme, enquanto mostra o relacionamento de Bloom com seu filho, ainda observado de perto por sua mãe (a ótima Jessica Lange) e sua esposa, Burton calca sua narrativa na exibição das historias de Bloom (interpretado por um excêntrico Ewan McGregor, e mais velho, por Albert Finney, ambos excelentes) um personagem tão cheio de vida (pois já sabe como vai morrer) que se apaixonou por uma menina no circo (numa passagem belíssima). Todas estes contos de Bloom são permeados por personagens bizarros sempre cruzando seu caminho em cenários grandiosos e belos (a direção de arte é fantástica juntamente com o uso eficaz de efeitos especiais).

Desta maneira, Burton, apesar de não contar com um excelente roteiro e um ritmo único, respalda seu trabalho pela simplicidade e romantismo de seu protagonista frente à vida.

Trabalhando da mesma maneira que Burton, P. J. Hogan possui favorecendo seu trabalho um protagonista único na literatura universal, Peter Pan, o menino que não queria crescer (hoje em dia, inclusive, teoria de psicologia). Mostrando este personagem como nunca ninguém viu (no cinema, existem somente as versões da Disney e a aventura de Spielberg, que não faz jus ao sucesso do personagem).

Entretanto aqui, a fantasia deixa de ser somente infantil e ganha ares de adolescência, tornando-se real (muito perceptível para os adultos atraves de sentimentos como amor, ciúme em contraponto a irresponsabilidade e brincadeiras, bem típico da idade). A Terra do Nunca criada por Hogan é mágica, bela e muito real aos nossos olhos, nesta fiel adaptação não falta personagens e detalhes como os meninos perdidos, Sininho e seu pó mágico, o pirata Barrica e, é claro, o vilão Capitão Gancho

O trabalho de direção de Hogan já começou bem na escolha do elenco juvenil, Jeremy Sumpter (visto em A MÃO DO DIABO) enche a tela com seu carisma contagiante imprimindo ares de rebeldia a Peter Pan, e os olhos brilhantes de Rachel Hurd-wood fazem contraponto a rebeldia de Peter com seu jeito responsável e menina da sociedade. Entre os adultos, o destaque fica por conta de Jason Isaacs, como pai de Wendy e Capitão Gancho.

OBS: para os mais curiosos, o dvd de PETER PAN conta com um final alternativo bastante interessante, um pouco diferente do mostrado no filme. Este bônus está nos extras do disco.

PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS: 8,0
(Big Fish, EUA, 2003)
Direção: Tim Burton
Roteiro:John August, baseado em livro de Daniel Wallace
Com: Ewan McGregor, Albert Finney, Jessica Lange, Billy Crudup, Helena Bonham Carter, Alison Lohman. 110 min. COLUMBIA

PETER PAN: 7,0
(Peter Pan, EUA, 2003)
Direção: P. J. Hogan
Roteiro: P.J. Hogan e Michael Goldenberg, baseado em livro de J.M. Barrie
Com: Jeremy Sumpter, Jason Isaacs, Olívia Williams, Rachel Hurd-Wood, Lynn Redgrave, Richard Briers. 105 min. COLUMBIA.

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 9:43 PM [+] ::
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:: Agosto 9, 2004 ::

LANÇAMENTOS PARA AGOSTO


DISTRIBUIDORA////LANÇAMENTOS

ALPHA: O ELIMINADOR, ARMADILHA DE FOGO, O ATAQUE DAS ÁGUIAS;

BUENA VISTA: COLD MOUNTAIN, LIZZIE MAGUIRE UM SONHO DE POPSTAR, O MISTÉRIO DOS ESCAVADORES;

CALIFÓRNIA:
VÍTIMAS INOCENTES, KEN PARK, MATEMÁTICA DO DIABO, O ALVO, QUEM SABE?;

CASABLANCA: ALIAS RELAÇÕES DE SANGUE, MONSIER N., CORAÇÃO SEM LEI;

COLUMBIA: BEM VINDO À SELVA, NA COMPANHIA DO MEDO, UM CRAQUE ANIMAL 2, LAUREL CANYON A RUA DAS TENTAÇÕES;

EUROPA: POR UM TRIZ, O CLUBE DOS MULHERENGOS, O DECLINIO DO IMPERIO AMERICANO, À SERVIÇO DE SARA, O NERD VAI A GUERRA, BOOM!;

FLASHSTAR: UM PONTO ZERO, PERIGO ON LINE, UMA VEZ NA VIDA;

FOX: À FRANCESA, DE ACORDO COM SPENCER, QUANDO OS ANJOS FALAM, TERRA DOS SONHOS, A PAIXÃO DE CRISTO;

IMAGEM: DOGTOWN AND Z BOYS, DUPLEX, NO FRIO DA ESCURIDÃO, UM CERTO CARRO AZUL;

PARAMOUNT: AMOR SEM FRONTEIRAS, RESISTINDO AS TENTAÇÕES, ONDE ANDA VOCÊ;

PLAYARTE: LOUCO POR ELAS, U BOAT NAS MÃOS DO INIMIGO, DE CORPO E ALMA;

UNIVERSAL: MESTRE DOS MARES, O PAGAMENTO, A MALDIÇÃO DA FORCA, DC SNIPER O ATIRADOR DE WASHINGTON, HALLOWEEN MACABRO;

VIDEO FILMES: EVIL RAIZES DO MAL, NARRADORES DE JAVÉ;

WARNER: CASSETA & PLANETA A TAÇA DO MUNDO É NOSSA, O GOLPE;

MEUS FAVORITOS: TERRA DOS SONHOS , MESTRE DOS MARES, DE CORPO E ALMA, POR UM TRIZ, COLD MOUNTAIN, O DECLINIO DO IMPERIO AMERICANO

PARA SETEMBRO: o tarantinesco KILL BILL; o inédito nos cinemas A GARGANTO DO DIABO, o terror de MADRUGADA DOS MORTOS, a comédia ALGUÉM TEM QUE CEDER, a minissérie ANGELS IN AMERICA em dvd, Charlize Theron em MONSTER.

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 9:36 PM [+] ::
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:: Agosto 4, 2004 ::

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (CINEMA)



Já fazia algum tempo que Hollywood não produzia um roteirista tão conhecido quanto diretores e atores, no momento, somente lembro de David Koepp (de O QUARTO DE PÂNICO e outros suspenses, mas que já anda dirigindo filmes como ECOS DO ALÉM), esta famosa pessoa atende pelo nome Charlie Kaufman (de QUERO SER JOHN MALKOVICH e ADAPTAÇÃO). E todo seu sucesso é merecido pois Kaufman adiciona ares criativos na grande maquina repetitiva que é o cinema americano. Pode ser estranho sem sentido para alguns mas todos seus filmes apostam no comportamento humano e, principalmente, na mente humana.

Seu último filme BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS (com este titulo já merece ser visto) é uma grande homenagem ao amor, uma quase comédia romântica pois como não podia ser diferente, Kaufman adiciona ares de loucura e uma pitada de ficção para mostrar quanto o amor é importante nas nossas vidas mesmo depois de terminado.

A película foi dirigida por Michel Gondry (já conhecido de Kaufman pois dirigiu A NATUREZA QUASE HUMANA), mostra bastante talento na direção de atores e na condução das cenas na mente de Joel (principalmente aquelas na qual ele tenta esconder Clementine na sua infância).

Para interpretar Joel e Clementine foram escolhidos Jim Carrey, numa atuação inexplicavelmente contida mesmo nos momentos cômicos (merece uma indicação se não o próprio prêmio Oscar), e Kate Winslet, encantadora no seu jeito despojado de ser. O que a principio pode parecer um casal completamente sem química, nota que na primeira cena do filme isto não é verdade, ambos se complementam há uma torcida do espectador para que eles fiquem juntos.

Além deles, o elenco conta ainda com as presenças de Kirsten Dunst (num papel com poucas cenas mas essencial a trama), Tom Wilkinson, Elijah Wood e Mark Ruffalo. Todos com papeis que acrescenta maiores situações a idéia maluca de Charlie Kaufman.

Sobre o roteiro de Kaufman, ele está melhor do que nunca, ninguém pode reclamar que é um roteiro sem sentido e de difícil compreensão, aqui Kaufman quis apenas demonstrar como todas as experiências vividas por nós são importantes, apaga-las seria diminuir nosso conhecimento e crescimento como ser humano, e nada mais simples do que demonstrar isto com uma HISTÓRIA DE AMOR, quem já não teve o pensamento de querer apagar todas as lembranças sobre um amor que não deu certo? Com certeza um dos filmes mais bonitos sobre este sentimento e desde de já o meu favorito do ano.


BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS: 10
(Eternal Sunshine of the Spotless Mind, EUA, 2004)
Direção: Michel Gondry
Roteiro: Charlie Kaufman, baseado em estória de Charlie Kaufman, Michel Gondry e Pierre Bismuth
Com: Jim Carrey, Kate Winslet, Elijah Wood, Mark Ruffalo, Kirsten Dunt, Tom Wilkinson, Thomas Jay Ryan. 108 min. UIP

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 9:17 PM [+] ::
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:: Agosto 1, 2004 ::

Aos Treze & A Encantadora de Baleias (DVD & VHS)



Nesta semana ao comentar sobre o filme GERAÇÃO ROUBADA, pude observar que a película mostrava a luta das três meninas indígenas para cultivar suas famílias e, conseqüentemente, manter a identidade de sua tribo. Nestes filmes que comento agora, coincidentemente a procura por uma identidade também move suas protagonistas, seja pelo surgimento de uma líder indígena em A ENCANTADORA DE BALEIAS ou pela difícil fase de transição criança-adolescente em AOS TREZE.

Por se tratar de um tema bastante instigante na idade das protagonistas dos dois filmes é fácil constatar a universalidade deste tema, AOS TREZE é uma produção americana enquanto A ENCANTADORA DE BALEIAS é da Nova Zelândia. Ambas também tiveram indicações para o Oscar deste ano apesar de não levarem nenhum.

Começo falando sobre AOS TREZE, produção que conquistou diversos elogios pela veracidade das imagens e dos temas adolescência, sexo, drogas, amizades e família. Apesar de ser considerado um produto da cultura americana, as experiências vividas pela protagonista não possuem nada de ficção, podem ocorrer com qualquer adolescente despreparado (aqui, obviamente, abro um parêntese para comentar que numa família desestruturada como o filme apresenta as coisas são facilitadas, mas há muitos motivos que levam os adolescentes a embarcarem no mundo das drogas e da marginalidade). Também tenho que observar que no filme tudo ocorre muito rápido de maneira desenfreada para chocar o espectador.

Mesmo assim, o filme utiliza a força dramática da ótima dupla Holly Hunter (O PIANO) e Evan Rachel Wood (S1MONE), para demonstrar o quanto esta fase da vida, tanto para as mães quanto para as filhas que ainda estão tentando encontrar uma maneira de se destacar na sociedade. A verdadeira protagonista da história no mundo real, Nikki Reed, a melhor amiga ou inimiga, que co-escreveu o roteiro baseado nas suas experiências também se sai muito bem em cena. Desculpem o desabafo, mas se a proposta do filme era chocar, ele me chocou me deixando preocupado em como deve ser difícil criar um filho, atualmente.

Igualmente sendo adolescente, Paikea (a carismática protagonista de A ENCANTADORA DE BALEIAS, não sei se merecedora da indicação, mas que ela carrega o filme nas costas, ninguém pode negar) não enfrenta tantos problemas quanto a adolescente de AOS TREZE, porém na busca por sua identidade terá de enfrentar um obstáculo dentro de casa seu avô, líder do povo indígena.

Aqui a dificuldade de Paikea é fazer com que seu avô a aceite como uma possível líder, através de uma lenda da tribo na qual o primogênito de uma família viria montado numa baleia para encaminhar a tribo para o futuro. O filme de Niki Caro discute as relações familiares e preconceito tendo como pano de fundo a cultura indígena. O filme é bonitinho, isto mesmo, tudo é muito inocente com ares de magia, não espere muita coisa que o filme consegue entreter sem chatear.


AOS TREZE: 7,5
(Thirteen, EUA, 2003)
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: Catherine Hardwicke e Nikki Reed
Com: Evan Rachel Wood, Nikki Reed, Holly Hunter, Jeremy Sisto, Brady Corbet, Deborah Unger, Kip Pardue, Sarah Clarke. 100 min. FOX

A ENCANTADORA DE BALEIAS: 6,5
(Whale Rider, Nova Zelândia, 2003)
Direção: Niki Caro
Roteiro: Niki Caro, baseado em livro de Witi Ihimaera
Com: Keisha Castle-Hughes, Rawiri Paratene, Vicky Haughton, Cliff Curtis, Grant Roa, Mana Taumaunu, Rachel House. 105 min. LK-TEL VIDEO

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:41 AM [+] ::
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